1° ano

O impulso de crescer e mudar é particularmente marcante em idade de 1° ano e essas mudanças repercutem em suas relações consigo mesmas, com os outros e com o mundo. Essa mudança está estreitamente ligada a um crescente interesse pela escola e pelos amigos.

O equilíbrio feito pelo adulto entre vida social, vida particular, trabalho e sua casa, se desenvolve a partir do equilíbrio que havia entre sua vida particular e a vida escolar. Antes dos 5 anos, brincar é o equivalente a trabalhar e nesse momento de entrada no ensino fundamental, é muito comum que escolas interrompam o processo do brincar e o encaminhem para o momento do “recreio”, dividindo as atividades motoras e exploratórias apenas com a aula de educação física ou momentos pontuais das aulas. Isso torna o momento escolar, um período de tensão e frequentar a escola deixa de ser uma realização em si mesma, mesmo que as crianças não estejam totalmente conscientes disso.

É durante esse período que as crianças começam a entender o que é insucesso. Percebem que progressos e realizações dependem de seus próprios esforços. Os elogios, antes muito mais frequentes, passam a depender de esforços cada vez maiores e em todos esses processos de mudanças, começa a notar os padrões de exigência crescentes que a vida escolar implica já nesse momento, quando aprofundam o processo da alfabetização, entendendo que ela é a porta de entrada para conhecimentos posteriores, cada vez mais complexos.

O sucesso do professor nesse momento, consiste em conseguir cada vez mais da criança, sem que ela esteja consciente de seu progresso, até que se torne eficiente em determinada tarefa. Quando essa exigência é percebida, o resultado é o medo. Entendendo o medo como um sentimento paralisador, é sabido que emocionalmente, ele impede que a criança continue seus progressos e precisa ser trabalhado.

Para que o processo de se tornar eficiente nesse momento, seja percebido apenas nos seus resultados pela criança, é preciso possibilitar um ambiente escolar que se organize em torno dos interesses manifestos pelas crianças, de suas vivências mais imediatas para que, com base nessas vivências, elas possam, progressivamente, ampliar essa compreensão, o que se dá pela mobilização de operações cognitivas cada vez mais complexas e pela sensibilidade para apreender o mundo, expressar-se sobre ele e nele atuar.